domingo, 28 de outubro de 2012

Conceito de ação




Todos nós distinguimos intuitivamente entre as coisas que fazemos e aquelas que nos acontecem. Nas coisas que fazemos há uma certa causalidade ou iniciativa que parte de nós. Naquelas que nos acontecem limitamo-nos a ser receptores de efeitos que nós não iniciámos.(…)

                                                                                                    E. Anscombe

O acontecimento é algo que ocorre,  situado no  espaço e no tempo. Uma trovoada é um acontecimento.

As ações são acontecimentos, mas nem todos os acontecimentos são ações.

Para que uma acontecimento seja uma ação, é preciso que envolva um agente.  

Mas nem todos os acontecimentos que envolvem agentes são ações. Alguém que cai não realiza uma ação.

As ações são acontecimentos que consistem em algo que o sujeito faz.  

Mas nem tudo o que um sujeito faz é uma ação. Alguém que respira não realiza uma ação.

As ações consistem em algo que o sujeito faz intencionalmente (o que supõe que seja um ato consciente e voluntário).


sábado, 27 de outubro de 2012

A atividade crítica da filosofia




“ O que significa especificamente, dizer que a filosofia faz a 'crítica das nossas crenças'? Para começar admitamos que a maior parte das nossas crenças sobre questões vitais como a religião e a moralidade são manifestamente acríticas. Faz uma pausa para avaliar as tuas crenças sobre estas questões, perguntando-te por que razão vieste a ter as crenças que tens. Na maior parte dos casos, podemos afirmar com segurança, irás descobrir que 'não vieste a ter' tais crenças como resultado de uma reflexão prolongada e séria sobre elas. Pelo contrário, aceitaste-as com base em alguma autoridade, isto é, um indivíduo qualquer, ou instituição, que te transmitiu essas crenças. A autoridade pode ser os teus pais, professores, Igreja ou amigos. Muitas das nossas crenças são impostas pelo que chamamos vagamente 'sociedade' ou 'opinião pública'. Estas autoridades, regra geral, não te impõem as suas convicções. Ao invés, absorveste essas crenças a partir do 'clima de opinião' no qual te desenvolveste. Assim, a maior a maior parte das tuas crenças sobre questões como a existência de Deus ou sobre se por vezes é correcto mentir são artigos intelectuais em 'segunda mão'.

Mas isto não significa, claro, que essas crenças sejam necessariamente falsas ou que não sejam sólidas. Podem perfeitamente ser sólidas. Os artigos em 'segunda mão' por vezes são muito bons. O que está em causa, contudo, é isto: uma crença não é verdadeira simplesmente porque uma autoridade qualquer diz que o é. Supõe que, perante uma certa crença, eu te perguntava: 'como sabes que isso é verdade?' Certamente que não seria satisfatório responder 'Porque os meus pais (professores, amigos) me disseram'. Isto, em si, não garante a verdade da crença, porque tais autoridades se enganaram muitas vezes. Verificou-se que muitas das crenças sobre medicina dos nossos antepassados, que eles transmitiram às gerações posteriores, eram falsas. (...)

E aqui que entra a actividade crítica da Filosofia.

A filosofia recusa-se a aceitar qualquer crença que as provas experimentais e o raciocínio não mostrem que é verdadeira. Uma crença que não possa ser estabelecida por este meio não é digna da nossa fidelidade intelectual e é habitualmente um guia incerto da acção. A Filosofia dedica-se, portanto, ao exame minucioso das crenças que aceitámos acriticamente de várias autoridades. Temos de nos libertar dos preconceitos e emoções que muitas vezes obscurecem as nossas crenças. A Filosofia não permitirá que crença alguma passe a inspecção só porque tem sido venerada pela tradição ou porque as pessoas acham que é emocionalmente compensador aceitar essa crença. A filosofia não aceitará uma crença só porque se pensa que é ‘simples senso-comum’ ou porque foi proclamada por homens sábios. A filosofia tenta nada tomar como garantido e nada aceitar por fé. Dedica-se à investigação persistente e de espírito aberto, para descobrir se as nossas crenças são justificadas, e até que ponto o são. Deste modo, a filosofia impede de nos afundarmos na complacência mental e no dogmatismo em que todos os seres humanos têm tendência para cair.”

Jerome Stolnitz, Estética e Filosofia da Crítica de Arte

Validade e verdade



Um argumento é válido se tiver a seguinte propriedade: se as premissas forem verdadeiras, a conclusão será verdadeira. Por que razão estamos especialmente interessados na validade? Acontece que a validade é uma propriedade particularmente agradável para um argumento. Pois se o leitor raciocinar validamente (isto é, se o seu raciocínio puder ser representado por um argumento válido) e se partir de premissas verdadeiras, nunca será conduzido ao erro. E se conseguir que alguém aceite as suas premissas como verdadeiras, essa pessoa tem de aceitar como verdadeiro seja o que for que se siga validamente dessas premissas. Os filósofos são entusiastas dos argumentos válidos. Procuram e conseguem que concordemos com algumas pequenas premissas inocentes, oferecendo depois o que pretendem ser argumentos válidos que têm todo o tipo de conclusões surpreendentes e grandiosas. Nas Meditações, Descartes começa por uma premissa inócua – Penso – e conclui: Deus existe. Claro que temos tendência para pensar que ele se apoiou implicitamente em mais algumas premissas que foram suprimidas, com as quais podemos discordar, ou que cometeu um erro no seu argumento. Mas se as premissas fossem verdadeiras e o raciocínio válido, a sua conclusão de que Deus existe seria verdadeira. E se nós aceitássemos as suas premissas e o seu argumento, estaríamos obrigados a aceitar a sua conclusão. (…) Exprimimos isto afirmando que os argumentos válidos preservam a verdade. Se começar com verdades e raciocinar validamente aquilo a que chegar será verdade. O facto dos argumentos válidos preservarem a verdade torna-os atraentes.
              Newton-Smith, Lógica, Um Curso Introdutório

  1. O que é um argumento válido?
  2. O que quer dizer: "Os agumentos válidos preservam a verdade"?

Validade e verdade



As partes relevantes de um argumento são, em primeiro lugar, as suas premissas. As premissas são o ponto de partida, ou o que se aceita ou presume, no que respeita ao argumento. Um argumento pode ter uma ou várias premissas. A partir das premissas, os argumentos derivam uma conclusão. Se estamos a refletir sobre um argumento, talvez por termos relutância em aceitar a sua conclusão, temos duas opções. Em primeiro lugar, podemos rejeitar uma ou mais das suas premissas. Em segundo lugar, podemos também rejeitar o modo como a conclusão é extraída das premissas. A primeira reação é que uma das premissas não é verdadeira. A segunda é que o raciocínio não é válido. É claro que o mesmo argumento pode estar sujeito a ambas as críticas: as premissas não são verdadeiras e o raciocínio aplicado é inválido. Mas as duas críticas são distintas (e as duas expressões, «não é verdadeira» e «não é válido», marcam bem a diferença.
                                                                                   BLACKBURN, Dicionário de Filosofia

Distingue validade de verdade


Sobre este assunto

sábado, 20 de outubro de 2012

A ação humana




Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedras? Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras). A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afectada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada… mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes? Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém dúvidas: Heitor é um herói, um homem valente como deve ser. Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Por que nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual a diferença entre um e outro caso? Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque têm de o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas-soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela natureza para cumprir a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre, e por isso admiramos a sua coragem.
                                                             Fernando Savater, Ética para um Jovem 


O que distingue o comportamento de Heitor do comportamento das formigas?

domingo, 14 de outubro de 2012

As questões da filosofia




Eis algumas perguntas que qualquer um de nós pode fazer sobre nós mesmos: O que sou eu? O que é a consciência? Será que eu podia sobreviver à morte do meu corpo? Será que posso ter a certeza de que as experiências e sensações das outras pessoas são como as minhas? Se eu não posso partilhar as experiências das outras pessoas, será que posso comunicar com elas? Será que agimos sempre em função do nosso interesse próprio? Será que sou uma espécie de fantoche, programado para fazer as coisas que penso fazer em função do meu livre-arbítrio?
Eis algumas perguntas sobre o mundo: Por que razão há algo e não o nada? Qual a diferença entre o passado e o futuro? Por que razão a causalidade acontece sempre do passado para o futuro, ou será que faz sentido pensar que o passado pode ser influenciado pelo futuro? Por que razão é a natureza regular? Será que o mundo pressupõe um Criador? E, se pressupõe, será que podemos compreender por que razão ele (ou ela ou eles) o criou?
Por fim, eis algumas perguntas sobre nós e o mundo: Como podemos ter a certeza de que o mundo é realmente como pensamos que é? O que é o conhecimento e que quantidade de conhecimento temos? O que faz de uma área de investigação uma ciência? (Será a psicanálise uma ciência? E a economia?) Como conhecemos os objectos abstractos, como os números? Como conhecemos os valores e os deveres? Como podemos saber se as nossas opiniões são objectivas ou apenas subjectivas?

                                                             Simon Blackburn, Pense





~~Crenças básicas fundamentais são crenças cuja verdade ou falsidade implica a verdade ou falsidade de outras crenças que dela dependem.~~

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Estudar Filosofia








[…]
Porquê estudar filosofia?
Defende-se por vezes que não vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca parecem atingir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal e qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes de fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo.
A vida examinada
Uma razão importante para estudar filosofia é o facto de esta lidar com questões fundamentais acerca do sentido da nossa existência. A maior parte das pessoas, num ou noutro momento da sua vida, já se interrogou a respeito de questões filosóficas. Por que razão estamos aqui? Há alguma demonstração da existência de Deus? As nossas vidas têm algum propósito? O que faz com que algumas acções sejam moralmente boas ou más? Poderemos alguma vez ter justificação para violar a lei? Poderá a nossa vida ser apenas um sonho? É a mente diferente do corpo, ou seremos apenas seres físicos? Como progride a ciência? O que é a arte? E assim por diante.
A maior parte das pessoas que estuda filosofia acha importante que cada um de nós examine estas questões. Algumas até defendem que não vale a pena viver a vida sem a examinar. Persistir numa existência rotineira sem jamais examinar os princípios na qual esta se baseia pode ser como conduzir um automóvel que nunca foi à revisão. Podemos justificadamente confiar nos travões, na direcção e no motor, uma vez que sempre funcionaram suficientemente bem até agora; mas esta confiança pode ser completamente injustificada: os travões podem ter uma deficiência e falharem precisamente quando mais precisarmos deles. Analogamente, os princípios nos quais a nossa vida se baseia podem ser inteiramente sólidos; mas, até os termos examinado, não podemos ter a certeza disso.
Contudo, mesmo que não duvidemos seriamente da solidez dos princípios em que baseamos a nossa vida, podemos estar a empobrecê la ao recusarmo nos a usar a nossa capacidade de pensar. Muitas pessoas acham que dá demasiado trabalho ou que é excessivamente inquietante colocar este tipo de questões fundamentais: podem sentir se satisfeitas e confortáveis com os seus preconceitos. Mas há outras pessoas que têm um forte desejo de encontrar respostas a questões filosóficas que representem um desafio.
Aprender a pensar
Outra razão para estudar filosofia é o facto de isso nos proporcionar uma boa maneira de aprender a pensar mais claramente sobre um vasto leque de assuntos. Os métodos do pensamento filosófico podem ser úteis em variadíssimas situações, uma vez que, ao analisar os argumentos a favor e contra qualquer posição, adquirimos aptidões que podem ser aplicadas noutras áreas da vida. Muitas pessoas que estudam filosofia aplicam depois as suas aptidões em profissões tão diferentes quanto o direito, a informática, a consultoria de gestão, o funcionalismo público e o jornalismo áreas onde a clareza de pensamento é um grande trunfo. Os filósofos usam também a perspicácia que adquirem acerca da natureza da existência humana quando se voltam para as artes: alguns filósofos foram também romancistas, críticos, poe¬tas, realizadores de cinema e dramaturgos de sucesso.
[...]
Nigel Warburton

domingo, 30 de setembro de 2012

A atividade filosófica






 A filosofia é uma actividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. A palavra «filosofia» é muitas vezes usada num sentido muito mais lato do que este, para referir uma perspectiva geral da vida ou para referir algumas formas de misticismo. Não irei usar a palavra neste sentido lato: o meu objectivo é lançar alguma luz sobre algumas das áreas centrais de discussão da tradição que começou com os gregos antigos e que tem prosperado no século XX, sobretudo na Europa e na América.
Que tipo de coisas discutem os filósofos desta tradição? Muitas vezes, examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente «o sentido da vida»: questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra «dever»? Estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não. O estudo da filosofia não só nos ajuda a pensar claramente sobre os nossos preconceitos, como ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas -- uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas.
                                                 
                        Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia

sábado, 29 de setembro de 2012

A Alegoria da Caverna







A ALEGORIA DA CAVERNA

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores dos “robertos” armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou a ver.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse muro, homens que transportam objectos de toda espécie, que o ultrapassam: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projectadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O que é a filosofia?



Ver Powerpoint aqui






A palavra grega filósofo (philosophos) é formada em oposição a sophos, significa o que ama o saber, em contraposição ao possuidor de conhecimentos que se designava por sábio. Este sentido da palavra manteve-se até hoje: é a demanda da verdade e não a sua posse que constitui a essência da Filosofia(...)
                                                                    Karl Yaspers, Iniciação Filosófica





A filosofia e a ciência surgem quando se abandona o mito, substituindo-o pela explicação racional. Utilizamos a expressão “explicação racional” para traduzir o termo grego “logos”. A filosofia surge, pois, quando o logos substitui o mito na função de explicar a realidade em toda a sua complexidade (…). Este acontecimento ocorreu na cultura grega, por volta do século VI a.C.

“Foi, com efeito, pela admiração que os homens, assim hoje como no começo, foram levados a filosofar, sendo primeiramente abalados pelas dificuldades mais óbvias, e progredindo em seguida pouco a pouco até resolverem alguns problemas maiores: por exemplo, as mudanças da lua, as do sol e dos astros e a génese do universo (…)”
                                                                                 Aristóteles, Metafísica

https://sites.google.com/site/filosofipsicologia/filosofia/o-que-e-a-filosofia

domingo, 16 de setembro de 2012

O mundo de Sofia




Cara Sofia! Há muitas pessoas que têm diversos hobbys. Algumas coleccionam moedas antigas ou selos, outras fazem trabalhos manuais, outras ainda dedicam quase todo o tempo livre a uma modalidade desportiva.
Muitos gostam de ler. Mas aquilo que lemos pode variar muito. Há quem leia apenas jornais ou banda desenhada, outros gostam de romances, outros ainda preferem livros sobre os mais variados temas como a astronomia, a vida selvagem ou as descobertas técnicas.
Se estou interessado em cavalos ou pedras preciosas, não posso exigir que todos os outros partilhem desse interesse. Se me sento em frente à televisão encantado com todos os programas desportivos, tenho de aceitar que outros possam achar o desporto aborrecido.
Haverá alguma coisa que interesse a toda a gente? Há alguma coisa que diga respeito a todas as pessoas, independentemente do que são e do sítio do mundo em que vivem? Sim, cara Sofia, há questões que dizem respeito a todos os homens. E neste curso trata-se exactamente dessas questões.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobre a verdade




Os Etíopes dizem que os seus deuses são negros de nariz achatado,
Enquanto que os Trácios afirmam que os seus têm olhos azuis e cabelo ruivo.
Porém, se os bois ou os cavalos ou leões tivessem mãos e pudessem desenhar
E fossem capazes de esculpir como os homens, então os cavalos poderiam desenhar os seus deuses
Como cavalos, e os bois como bois, e cada um esculpiria então
Corpos de deuses, cada qual à sua própria imagem.

E Xenófanes tira desta lição uma importante conclusão crítica; infere que o conhecimento humano é falível:

Os deuses não nos revelaram, desde o início,
Todas as coisas; mas no decorrer dos tempos,
Podemos aprender através da busca, e conhecer melhor as coisas…
Estas coisas são, imaginamos nós, a verdade.

Mas a verdade certa, nenhum homem a conhece
Nem a virá a conhecer; nem a dos deuses
Nem a de todas as coisas deque falo.
E mesmo se, por acaso, pudesse dar voz
À verdade final, ele próprio não a conheceria:
Porque tudo não passa de uma intrincada teia de suposições.


(…)
Uma das principais tarefas da razão humana é tornar o universo em que vivemos algo compreensível para nós. Tal tarefa é a ciência. Há duas componentes diferentes, mas igualmente importantes, neste empreendimento.
A primeira é a invenção poética, ou seja, o contador de histórias ou a formação de mitos: a invenção de histórias que explicam o mundo. (…)
Esta primeira componente, que talvez seja tão antiga como a linguagem humana, é de extrema importância. E parece universal: todas as tribos e todos os povos têm histórias explicativas deste tipo, muitas vezes, sob a forma de conto de fadas. Parece que a invenção de explicações e de histórias explicativas é uma das funções básicas que a linguagem humana deve servir.
A segunda componente da racionalidade é, comparativamente, mais recente. Parece especificamente grega e ter surgido após o aparecimento da escrita na Grécia. Surgiu ao que parece uma única vez: com Anaximandro, aluno de Tales e primeiro crítico da cosmologia. Tratou-se da invenção da crítica, da discussão crítica de vários mitos explicativos – com o objectivo de desenvolvê-los conscientemente.
O principal exemplo grego dos mitos explicativos numa escala elaborada é, sem dúvida, a Teogonia de Hesíodo. Trata-se de uma história bárbara e arrebatadora sobre a origem e os feitos bons e maus dos deuses gregos. À primeira vista não pensaríamos que a Teogonia pudesse dar sugestões que influenciassem o desenvolvimento de uma explicação científica do nosso mundo. Todavia, propus a conjectura histórica de que uma passagem da Teogonia de Hesíodo, prefigurada por outra na Ilíada de Homero, foi usada para esse fim por Anaximandro.
Passo então a explicar a minha conjectura (…)

                                                                                in O Mito do Contexto, Karl Popper




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Jorge Varanda








Pequeno-almoço sobre cartolina

Primeira exposição póstuma de Jorge Varanda (Luanda, 1953 - Lisboa, 2008), artista com um percurso marginal que se dividiu entre a pintura, a ilustração, as artes gráficas, a produção de diaporamas, a intervenção em arquitetura e a realização de filmes e banda desenhada.

O título da mostra remete para uma folha de cartolina, onde o artista desenhou o contorno de alguns objetos e escreveu palavras como “local da bandeja”, “pão” e “controlo remoto”, que sugerem uma refeição matinal em frente a uma televisão.

É esse horizonte próximo da produção de uma série de cartolinas de formato regular (100x70cm) pintadas ao longo dos anos 80, que estarão expostas, e que constitui o mais relevante desenvolvimento na pintura de suporte bidimensional de Jorge Varanda.

O título Pequeno-almoço sobre cartolina refere-se a uma ideia de domesticidade necessária à compreensão do conjunto da obra deste autor. A estranheza do comportamento dos outros é um dos temas oferecidos pelas imagens e narrativas fabricadas a partir de um lugar de conforto que é a casa, cuja moldura é justamente a janela, objeto simbólico da separação entre interior e exterior. A adversidade da vivência da cidade acontece numa relação inversa à comodidade experimentada em casa. A casa abre-se à rua e para um mundo atravessado por pessoas anónimas, peões ou marionetas.


Para além das cartolinas, esta mesma atmosfera é transmitida por outras obras, sobretudo pelas madeiras recortadas e justapostas, pelas caixas que são interiores de pequenos teatros ou exteriores de prédios de grandes cidades, ou por biombos e outros dispositivos articulados.

O trabalho de Varanda reenvia para uma urbanidade fracassada e apodrecida da qual também participa e pela qual se encontra inequivocamente intoxicado. É a des-humanidade que lhe terá sido, afinal, servida a quente na bandeja do pequeno-almoço.
                                                                                     Centro de Arte Moderna

JOSEF ALBERS


Pintura sobre papel

Primeira exposição em Portugal de Josef Albers (1888-1976), artista norte-americano nascido na Alemanha, que marcou a arte e a teoria da arte do século XX com a célebre série Homenagens ao Quadrado (Homages to the Square), que pintou entre 1950 e 1976, e com a publicação, em 1963, do ensaio The Interaction of Color, um estudo inovador que se tornou uma referência para os estudiosos de arte. A sua reputação de professor deixou marcas na Bauhaus, em 1925, e no Black College Mountain, Carolina do Norte, a partir de 1933, e finalmente na Universidade de Yale, entre 1950 e 1958.

                                                                                                                                 No CAM

domingo, 20 de maio de 2012

Helena Almeida

Estudou Pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, 1959, onde se interessou mais pela vida cultural do que pela vida académica. Em 1967 realiza a sua primeira exposição individual de pintura na galeria Buchholz, Lisboa. O desejo de fuga da tela transparece nos primeiros trabalhos de Helena Almeida, onde tenta romper com os limites da pintura e sair do suporte, transgredindo de forma literal os limites do espaço da obra de arte.
Expõe telas rasgadas à semelhança de Lucio Fontana (artista que marcou o início do seu percurso), telas com o verso voltado para a frente dando, assim, a ver o que tradicionalmente estava virado para a parede. A partir de 1975, Helena Almeida começa a explorar outras disciplinas como o desenho, a fotografia e o vídeo, encarando-os como meios para perceber a relação do corpo do autor com o espaço da obra. O corpo da artista torna-se o suporte da sua arte, passando a ser sujeito e objecto, não sob a forma de auto-retrato, o rosto aparece muitas vezes oculto, mas sim no sentido de “ habitar a pintura”, de se colocar dentro do seu trabalho, de ser a sua obra. Em 1977 na exposição Alternativa Zero (exposição marco na arte contemporânea portuguesa) apresenta uma série de fotografias com elementos anexos à imagem, criando, desta forma, a ilusão da obra sair do seu lugar e entrar no espaço do observador.
                                                        continua aqui

sábado, 19 de maio de 2012

Pintura abstrata



Kandinsky

A arte abstrata nasce praticamente com o século xx. Primeiro na pintura, depois na escultura, surgem formas que já não contêm a imagem do mundo exterior. O artista já não nomeia, exprime. Cabe ao espectador reagir e apreender a significação do que é expresso.
A primeira obra a lançar-se deliberadamente nesta via é uma aguarela de Kandinsky. A sua data, 1910, marca historicamente os primeiros passos da arte abstracta.

Mondrian

Se é certo que Kandinsky é o primeiro pintor em que a abstracção nasce de uma convicção profunda, também é verdade este fenómeno se verifica noutros autores dessa altura. Assim, anos mais tarde, em 1914, é Mondrian que, seguindo uma via completamente diferente, abandona a figuração.

Malevitch
Quase ao mesmo tempo, um terceiro pintor de grande envergadura, Malevitch, seguindo também outro caminho, chega igualmente à abstracção.

                                             Dora Vallier, A Arte Abstrata

Vamos ao CAM




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Criado em 1983, o CAM – Centro de Arte Moderna – da Fundação Calouste Gulbenkian está vocacionado para preservar, investigar e tornar acessível ao maior número possível de pessoas a colecção à sua guarda, constituída por obras de arte dos séculos XX e XXI.
A sua programação anual inclui a organização de exposições temporárias sobre obras de artistas portugueses e internacionais e a apresentação de uma exposição permanente realizada a partir de uma selecção das obras em acervo.
A colecção do CAM reúne actualmente cerca de 9.000 peças de artistas portugueses e internacionais, destacando-se a representação sobre arte portuguesa das primeiras décadas do século XX.
Dos anos 60 até à actualidade, a colecção possui um importante conjunto de obras de artistas portugueses, muitos dos quais trabalhados ao longo de uma programação regular de exposições monográficas.
As actividades do CAM integram-se na vasta programação cultural da Fundação Calouste Gulbenkian. As actividades educativas relacionadas com as exposições são actualmente programadas no contexto do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura .




O enquadramento mental do cientista




“O nosso conhecimento e as nossas expectativas do que iremos provavelmente ver afetam o que vemos de facto. (…) O que normalmente vemos depende daquilo a que chamamos o “enquadramento mental”.    Nigel Warburton


Popper afirma o primado da teoria sobre a observação. A ciência é um processo no qual o cientista nunca começa do nada, parte sempre de informação, pressupostos e ideias. Toda a observação está impregnada de teoria no sentido em que esta condiciona e orienta o modo de ver, a seleção/valorização de uns aspetos em detrimento de outros. A observação supõe já uma interpretação, o que está de acordo com a perspectiva de que “o que vemos depende daquilo a que chamamos enquadramento mental”

Podemos considerar que o paradigma em vigor, que, segundo Khun, orienta a “ciência normal”, enquanto conjunto de conceitos fundamentais e procedimentos padronizados, aceites pela comunidade científica que orientam a prática científica numa determinada época, constitue um “enquadramento mental do cientista”.

Verdade Científica e Objetividade



A verdade científica não é a “verdade” ou descrição da realidade em si (tal como ela é). A verdade científica é uma construção racional rigorosa com base em métodos e instrumentos; é uma interpretação da realidade condicionada pela racionalidade humana, instrumentos e técnicas existentes num dado momento.
Uma das exigências dessa construção/conhecimento científico é a objectividade. A objectividade do conhecimento significa, à partida, a descrição da realidade independentemente das características do investigador. É claro, no entanto, que essa construção está sempre dependente dos instrumentos (criados pelo homem e que condicionam a captação da realidade) e da influência do investigador, por mais que se queira afastar.
A objectividade é inerente à verdade científica. Isto significa que num dado momento uma interpretação da realidade tem o consenso da comunidade dos cientistas (intersubjectividade) pelo facto de ser reconhecido o rigor metodológico que permite que qualquer investigador, repetindo as operações lógico-matemáticas experimentais, obtenha sempre os mesmos resultados.
                                                                                              

terça-feira, 8 de maio de 2012

Camus: O Absurdo e a Finitude

 

 

CAMUS: O ABSURDO E A FINITUDE


“ A Filosofia de Camus é uma Filosofia do Absurdo, e o absurdo, para ele, nasce da relação entre o homem e o mundo, entre as exigências racionais do homem e a irracionalidade do mundo”. Sartre

A vida humana pode não ter sentido, mas também ser absurda. O mundo é constituído por despropósitos onde não parece existir finalidade e valor.
Para Camus a vida é absurda, não tem sentido. A inutilidade do sofrimento e a inevitabilidade da morte confirma a sua posição.
A Peste é um romance fascinante que nos leva a reflectir sobre a finitude do homem e a morte eminente. Aqui o homem está perante uma situação limite.
Em O Estrangeiro, é tratado o absurdo da existência. O homem sente-se um estrangeiro entre os homens, um exilado do mundo para o qual não encontra um sentido. A personagem vive o absurdo, opta pelo fracasso ou pela desistência da vida.
Em O Estrangeiro Camus o absurdo centra-se no indivíduo, em A Peste o absurdo é colectivo. Nos dois casos a gratuidade da vida, da morte, dos acontecimentos e a irracionalidade do mundo.

Heidegger define o homem como um “ser-para-a-morte”; a morte não é apenas um fim inevitável, pertence à estrutura íntima do homem.
Para os existencialistas, a morte é exterioridade, é a negação do homem e, por isso absurda.

Trata-se de um romance que coloca o homem frente à situação-limite que mais o assusta: a morte, não como resultado do ciclo da existência, o que é natural, mas trágica, dolorosa, com sofrimento. E mais: gratuita, um capricho cruel que surge repentinamente, impondo um fim gradual e pavoroso. Dada sua omnipresença e força simbólica, a morte é uma personagem nesse livro da separação e da esperança.
Para Camus a vida é absurda.


Através do Mito de Sísifo, ensaio sobre o absurdo, Camus procura mostrar como o esforço humano é inútil, como a existência tem uma natureza absurda.
O mito de Sísifo é um mito grego onde Sísifo, rei de Corinto, por ter desafiado os Deuses, contando os seus segredos aos mortais, foi condenado a empurrar uma pedra enorme, sem descanso, até ao cume de uma montanha. Mas, assim que chegava ao topo, a pedra resvalava e era preciso começar de novo, eternamente. Esta imagem traduz a existência humana, onde as tarefas se iniciam num ciclo sem fim.
O Absurdo significa o sem sentido do que não está de acordo com as leis da lógica.
Jean Paul Sartre escreveu no Prefácio de “O Mito de Sísifo” “ A Filosofia de Camus é uma Filosofia do Absurdo, e o absurdo, para ele, nasce da relação entre o homem e o mundo, entre as exigências racionais do homem e a irracionalidade do mundo”.
Efectivamente, o sentimento de absurdo nasce do confronto inconsequente e doloroso entre o homem e o mundo. O homem procura a inteligibilidade do mundo e da vida mas a realidade apresenta-se irracional.
Mas é a estranheza que se revela na existência; os outros e nós mesmos revelam-se estranhos. Queremos promover valores mas a existência afirma-se nua e crua com um sofrimento inadmissível.
Mas o que fazer, face ao absurdo?
Não podemos fugir à condição humana. A resposta deve ser a revolta. A recusa em cooperar com a injustiça, com a desonestidade







                                                                                                              João MB, 11º ano

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O problema do sentido da vida

 



O sentido da vida é uma questão existencial, filosófica por excelência. Ainda que não seja uma questão central na filosofia, ela não deixa de estar na sua base, de forma mais ou menos implícita. A questão do sentido da vida não é alheia à necessidade de compreender a realidade, de construir sentidos; ela está presente nas questões éticas.
A questão do sentido da vida é existencial mas também metafísica. Ela coloca-se na consciência que o homem tem da sua existência, da inquietação perante a sua finitude, o absurdo da morte.
É um tema que nos fascina porque nos leva a problematizar a nossa existência, confronta-nos com a estranheza e com o absurdo da vida, abrindo-nos, simultaneamente, perspectivas de esperança e de construção de sentidos.
Importa formular o problema existencial: o sentido da vida e clarificar as questões relativas à condição humana, a finitude e a temporalidade.
Algumas perspectivas de interesse: o existencialismo e o absurdo; o transcendente e a perspectiva ética.



Em que consiste o problema do sentido da vida?
E em que perspectivas se pode colocar esta questão? De um ponto de vista subjectivo ou objectivo? Coloca-se esta questão no sentido daquele que vive a sua vida e se sente ou não feliz?
O problema do sentido da vida consiste em perguntar se a vida tem uma finalidade última, se tem valor e significado. A pergunta sobre o sentido liga-se à questão do valor. Qual o valor da nossa vida? Vale a pena viver? Ou será que tudo é inútil e desprovido de interesse?
Esta questão emerge da inquietação da existência humana. Da consciência da sua temporalidade e finitude. A inevitabilidade da morte é central nesta questão. Radica aqui o tema do absurdo.
O problema é a vida acabar com a morte? Se não houvesse a morte, a vida passaria a ter sentido? A existência de deus e a promessa de vida eterna resolveria a questão?

Perguntar pelo sentido da vida é interrogar sobre o valor da finalidade última da vida como um todo, independentemente das circunstâncias e interesses particulares.
No mito de Sísifo há uma finalidade, colocar a pedra no cimo da montanha. A falta de sentido não está na ausência de finalidade mas do facto de nunca atingir essa finalidade? Mas a questão não estará aqui mas no facto da finalidade não ter valor.




                                                                                        João MB, 11º ano


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