sábado, 3 de março de 2012

Origem do conhecimento - Racionalismo e empirismo





 A posição epistemológica que vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento humano chama-se racionalismo (de ratio = a razão). Segundo ela, um conhecimento só merece na realidade este nome quando e logicamente necessário e universalmente válido. Quando a nossa razão julga que urna coisa tem que ser assim e que não pode ser de outro modo, que tem de ser assim, portanto, sempre e em todas as partes, então, e só então, nos encontramos ante um verdadeiro conhecimento, na opinião do racionalismo. Um conhecimento desse tipo apresenta-se-nos, por exemplo, quando formulamos o juízo "o todo e maior do que a parte", ou o juízo "todos os corpos são extensos". Em ambos os casos vemos com evidência que tem de ser assim e que a razão se contradiria a si mesma se quisesse sustentar o contrário. E porque tem de ser assim, e também sempre e em todas as partes assim. Estes juízos possuem, pois, uma necessidade lógica. (…) e uma validade universal rigorosa. (...) Todo o verdadeiro conhecimento se funda deste modo - assim conclui o racionalismo - no pensamento. Este é, por conseguinte, a verdadeira fonte e base do conhecimento humano.
                                                                                        J. Hessen, Teria do Conhecimento




 A posição filosófica segundo a qual a razão tem um papel preponderante na aquisição de conhecimento. O racionalismo é assim o oposto do EMPIRISMO. Tal como existem versões radicais de empirismo que negam à razão qualquer papel na aquisição de conhecimento, também as versões mais radicais de racionalismo negam aos sentidos qualquer papel na aquisição de conhecimento. Contudo, ao passo que ainda hoje em dia há quem defenda posições empiristas radicais, as posições racionalistas radicais só foram populares na Grécia antiga. As versões mais moderadas de racionalismo defendem que tanto a razão como os sentidos são fontes substanciais de aquisição de conhecimento. Há que não confundir a ideia de que podemos adquirir conhecimento a priori acerca do mundo com a ideia de que o conhecimento não seria possível sem termos experiência do mundo. Uma coisa é como adquirimos os conceitos relevantes usados na formulação das nossas crenças acerca do mundo, os quais podem ser adquiridos através da experiência; outra coisa é saber se, na posse dos conceitos relevantes, podemos ou não saber coisas acerca do mundo sem recorrer à experiência. Por exemplo, o facto de termos adquirido os conceitos de azul e de vermelho através da experiência perceptiva não nos impede de saber a priori que um objecto todo vermelho não pode ser azul.
Não se deve confundir as posições racionalistas tradicionais com a defesa de uma capacidade racional de intuição responsável pelo nosso conhecimento a priori. Por exemplo, como sabemos que ou chove ou não chove? Porque num certo sentido podemos "ver" através da nossa intuição racional que isso é verdade. Os primeiros grandes filósofos racionalistas foram DESCARTES, LEIBNIZ e ESPINOSA. As posições racionalistas foram praticamente rejeitadas durante o séc. XIX com a descoberta de geometrias não-euclidianas. Graças ao trabalho de filósofos como Thomas Nagel (n. 1937) e Laurence Bonjour (n. 1943) o racionalismo volta a estar hoje na ordem do dia.
2. Num sentido mais geral, o racionalismo é a ideia de que só racionalmente podemos chegar às verdades acerca do mundo. Tanto a experiência como a razão são métodos racionais de aquisição de conhecimento, por oposição aos processos místicos, como a fé ou a revelação divina. 

             Dicionário Escolar de Filosofia, Plátano Editora: http://www.defnarede.com/r.html

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