sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Usar argumentos como meio de investigação



Sherlock Holmes tem de explicar uma das suas conclusões mais importantes em a Aventura de Silver Blaze:

Estava um cão no estábulo e, apesar de alguém lá ter estado e ter levado para lá um cavalo, o cão não ladrou [...] É óbvio que o visitante era alguém que o cão conhecia bem [...]

Danse Macabre - Camille Saint-Saëns



O Halloween apenas como pretexto…

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Ação, intenção e deliberação


Balthus

Um erro comum que existe na teoria da ação é supor que todas as ações intencionais são o resultado de alguma espécie de deliberação, que são o produto de uma cadeia de raciocínio prático. Mas, obviamente, muitas coisas que fazemos não são assim. Simplesmente fazemos alguma coisa sem qualquer reflexão prévia.

Acontecimentos e ações


Edward Hopper
Suponhamos que apanhei o comboio e paguei o meu respectivo bilhete. Durante o  percurso vou distraído, pensando nas minhas coisas, sem me dar conta de que brinco  com o pedacito do cartão, enrolo-o e desenrolo-o, até que finalmente o atiro descuidadamente pela janela aberta. Nessa altura aparece-me o cobrador e pede-me o bilhete: desespero e provavelmente a multa. Posso apenas murmurar para me desculpar: " Atirei-o da janela...sem me aperceber." O revisor, que é também um pouco filósofo, comenta: "Bom, se não se apercebeu do que estava do que estava a fazer, não pode dizer que o tenha atirado pela janela. É como ele tivesse caído".

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Conselhos para avaliar argumentos


Magritte

Os lógicos (…) distinguem a validade da solidez. Diz-se que um argumento é válido se a conclusão se segue das premissas. No entanto, para que seja sólido, um argumento tem de ser válido e as premissas têm de ser verdadeiras.
Importa fazer outra observação. O grau com que as premissas apoiam a conclusão pode variar. Por vezes as premissas não aprovam absolutamente que a conclusão seja verdadeira, mas proporcionam dados que tornam muito provável que a conclusão seja verdadeira.

Avaliar argumentos


Magritte

Formular e testar argumentos é importante em qualquer área, mas é especialmente decisivo quando lidamos com grandes decisões abstratas, já que não temos outra forma de as compreender. Uma teoria filosófica é apenas tão boa como os argumentos que a apoiam.
Alguns argumentos são sólidos, alguns não o são, e precisamos saber como os distinguir. Seria bom se houvesse uma maneira simples de o fazer. Infelizmente, não há. Os argumentos são muito diversos e podem estar errados de inúmeras formas. Porém, podemos atender a alguns princípios gerais.

domingo, 12 de outubro de 2014

A dimensão discursiva do trabalho filosófico



Os argumentos são essenciais, em primeiro lugar, porque são uma forma de tentar descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser apoiadas com boas razões; outras, com razões menos boas. Mas muitas vezes não sabemos quais são as melhores conclusões. Precisamos de apresentar argumentos para apoiar diferentes conclusões, e depois avaliar tais argumentos para ver se são realmente bons.

sábado, 11 de outubro de 2014

O Sono da Razão Produz Monstros




Uma das séries de sátiras gravadas pelo pintor espanhol Goya tem por título “O Sono da Razão Produz Monstros”. Goya pensava que muitas das loucuras da humanidade resultavam do “sono da razão”. Há sempre pessoas prontas a dizer-nos o que queremos, a explicar-nos como nos vão dar essas coisas e a mostrar-nos no que devemos acreditar. As convicções são contagiosas, e é possível convencer as pessoas de praticamente tudo. Geralmente, estamos dispostos a pensar que os nossos hábitos, as nossas convicções, a nossa religião e os nossos políticos são melhores do que os deles, ou que os nossos direitos dados por Deus anulam os direitos deles, ou que os nossos interesses exigem ataques defensivos ou dissuasivos contra eles.

A lógica de Aristóteles


Uma forma de definir a lógica é dizer que é uma disciplina que distingue entre as boas e as más inferências. Aristóteles estuda todas as formas possíveis de inferência silogística e estabelece um conjunto de princípios que permitem distinguir os bons silogismos dos maus. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Razões para estudar filosofia




Porquê estudar filosofia
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Começar a questionar as bases fundamentais da nossa vida pode até ser perigoso: podemos acabar por nos sentir incapazes de fazer o que quer que seja, paralisados por fazer demasiadas perguntas. Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo.

O que é a filosofia?




A filosofia é o que acontece quando se começa a pensar pela própria cabeça.

Pode-se acrescentar um pouco mais. Assim que nos libertamos dos hábitos das crenças recebidas, as que por acaso se adquiriu mesmo acerca de questões básicas, e começamos realmente a pensar acerca daquilo em que devemos acreditar, à luz da razão (argumentos) e indícios, começámos a fazer filosofia.

O silogismo categórico







Um silogismo (ou melhor, um silogismo categórico) é a inferência de uma proposição a partir de duas premissas. Por exemplo: todos os cavalos têm cauda; todas as coisas que têm cauda são quadrúpedes; logo, todos os cavalos são quadrúpedes.

Forma lógica



A forma lógica de uma frase é a estrutura, partilhável com outras frases, responsável pelo seu papel nas inferências. Isto é, a sua forma lógica determina a maneira pela qual ela pode ser validamente deduzida a partir de outras frases, e a maneira pela qual outras frases podem ser deduzidas validamente de conjuntos de premissas que a incluam.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Luís de Freitas Branco - "Suite Alentejana No. 1"




Sugestão musical para este fim de semana

A atividade filosófica


Magritte

A filosofia é uma atividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A atividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. (...)
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